
Cortes ou estagnação nos benefícios sociais e previdenciários podem reduzir a atividade econômica de cidades do interior do Brasil. A conclusão é de um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP, divulgado nesta semana.
Segundo o levantamento, aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada, o BPC, chegam a representar metade da renda de famílias com rendimento de até um salário mínimo e meio por pessoa.
A economista Luiza Nassif, codiretora do centro, explica que esses recursos são usados principalmente na compra de produtos essenciais. Com isso, circulam no comércio local e ajudam a manter empregos e a arrecadação municipal.
O estudo projetou cenários para os próximos três anos. Sem reajustes reais dos benefícios, a renda agregada dos municípios do interior ficaria entre 6,8% e 10,8% abaixo do cenário com valorização acima da inflação.
Os maiores impactos seriam no interior do Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, com perdas entre 17% e 18%. São Paulo está entre os estados onde a redução chegaria a 6,5%.
O levantamento também simulou o que teria ocorrido sem ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025. Nesse cenário, aproximadamente 2,7 milhões de pessoas teriam entrado na pobreza fora das regiões metropolitanas, sendo 2,4 milhões na extrema pobreza.
Em São Paulo, a simulação aponta até 263 mil pessoas a mais na pobreza.
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