
O cantor e compositor Lô Borges morreu na noite de domingo (2), aos 72 anos, em Belo Horizonte (MG). O artista estava internado desde o dia 17 de outubro em um hospital particular da capital mineira, após uma intoxicação medicamentosa.
No dia 25 de outubro, Lô Borges foi submetido a uma traqueostomia para auxiliar na ventilação mecânica. Apesar de apresentar melhora nos dias seguintes, o músico iniciou tratamento de hemodiálise em 27 de outubro, devido a complicações renais.
Ícone da música brasileira e do Clube da Esquina
Nascido em 10 de janeiro de 1952, em Belo Horizonte, Salomão Borges Filho, conhecido artisticamente como Lô Borges, é considerado um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira (MPB). Sua carreira está profundamente ligada ao movimento Clube da Esquina, criado ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Tavito, Márcio Borges e outros artistas mineiros. O álbum “Clube da Esquina” (1972) é até hoje uma das obras mais influentes da música nacional.
No mesmo ano, Lô lançou seu primeiro álbum solo, conhecido como “o disco do tênis”, por causa da capa icônica que traz um par de tênis surrados.
Obras e canções marcantes
Entre os clássicos compostos por Lô Borges estão “O Trem Azul”, “Paisagem da Janela”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Para Lennon & McCartney” — músicas que atravessaram gerações e foram regravadas por nomes como Elis Regina, Milton Nascimento, Maria Gadú e Skank.
Em agosto de 2025, o artista lançou seu último álbum, “Céu de Giz”, com faixas inéditas em parceria com Zeca Baleiro, reafirmando sua vitalidade criativa mesmo após cinco décadas de carreira.
Legado e influência
Com mais de 50 anos dedicados à música, Lô Borges construiu uma trajetória marcada por melodias inventivas, harmonias sofisticadas e uma poética singular, que mistura espiritualidade, cotidiano e o imaginário mineiro.
Considerado um dos símbolos da MPB moderna, Lô deixa um legado que influenciou gerações de artistas e consolidou Minas Gerais como um dos principais polos criativos da música brasileira.


