
O legado de Lô Borges permanece nas canções, nas memórias da família e na influência sobre diferentes gerações da música brasileira. Nesta segunda-feira, 2 de novembro, completa-se um ano da morte do cantor e compositor mineiro, que morreu em 2025, aos 73 anos, em Belo Horizonte.
Um dos criadores do Clube da Esquina, Lô ajudou a construir uma sonoridade que aproximou referências do rock e da música brasileira. Ao lado de Milton Nascimento e de outros parceiros, participou de uma obra que continua presente nos palcos e no repertório de novos intérpretes.
Canções como “O Trem Azul”, parceria com Ronaldo Bastos, e “Paisagem da Janela”, com Fernando Brant, fazem parte dessa trajetória. Por trás dos clássicos, familiares e pesquisadores destacam um artista dedicado à composição, aos encontros e à simplicidade.
A contribuição de Lô Borges para o Clube da Esquina
Lançado em 1972, o álbum Clube da Esquina, assinado por Milton Nascimento e Lô Borges, tornou-se um marco da música brasileira. A participação de Lô foi decisiva para a identidade musical do trabalho.
Para a historiadora e pesquisadora Fernanda Paulo Marques, autora do livro Milton Nascimento nos trilhos da América Latina, o modo como o compositor tocava violão ajudou a dar ao Clube uma sonoridade reconhecível.
“Com certeza nós não teríamos Clube da Esquina se não fosse o Lô Borges”, afirma.
A pesquisadora também destaca a contribuição das referências musicais que ele incorporou ao movimento.
“Então o Lô foi muito importante, principalmente por trazer o rock, trazer os Beatles para dentro dessa sonoridade.”
Marilton Borges lembra a música dentro de casa
Na família Borges, a música fazia parte da convivência. Em entrevista à CBN Vale, na última sexta-feira, 30 de outubro, o músico Marilton Borges, irmão de Lô, recordou os encontros que reuniam diferentes gerações em torno dos instrumentos.
“As noites de Natal lá em casa eram famosíssimas porque juntava aquele monte de músicos, todo mundo cantando”, contou.
Marilton também dividiu gravações e apresentações com o irmão. Ao lembrar a perda, falou da dor da ausência e do orgulho pela trajetória construída por Lô.
“É duro, é chato, é doído, sabe? Mas a gente se sente honrado, com o trabalho maravilhoso que ele fez no Brasil.”
O conselho que Rodrigo Borges leva para a carreira
Para o cantor e compositor Rodrigo Borges, sobrinho de Lô e filho de Marilton, a influência do tio está tanto na música quanto na maneira de viver.
Rodrigo lembra o apoio que recebeu no início da carreira, a participação de Lô em seu primeiro disco e as oportunidades de dividir o palco com ele. Entre essas memórias, guarda uma orientação sobre o caminho da composição.
“Tente fazer coisas simples, coisas que toquem o coração das pessoas”, aconselhou Lô, segundo o sobrinho.
A recomendação se tornou uma referência para Rodrigo, que associa a obra do tio à mesma simplicidade que percebia na convivência familiar.
“Era um cara simples, acima de tudo. Um cara que não ostentava, não ligava pra like, não ligava pra fama. O casamento dele foi com a própria música e com o público dele.”
Em 2024, Lô Borges falava sobre continuar criando
Em entrevista concedida à CBN Vale, no Sesc São José dos Campos, em 2024, Lô demonstrou que a criação de novas músicas continuava no centro de sua trajetória.
“Então, a minha produção musical é efervescente, eu não paro de criar”, afirmou.
Na conversa, o compositor reconheceu a importância do Clube da Esquina, mas destacou que sua motivação também estava nas canções que ainda pretendia apresentar ao público.
“Eu tenho o maior orgulho de ter sido um dos autores do Clube da Esquina, mas o que move a minha carreira é a minha composição, a vontade de fazer coisas novas, de lidar com o desconhecido, de criar canções que ainda não existem.”
Um ano após sua morte, esse impulso criativo ajuda a compreender o legado de Lô Borges: uma obra que marcou a cultura nacional e continua chegando a novos ouvintes.
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